Bullying - O papel da escola e o nosso papel para a diminuição de preconceitos
quinta-feira, 7 de abril de 2011
A maioria das coisas que conhecemos são sempre classificadas binariamente: O preto e o branco, o claro e o escuro, o dia e a noite, o fundo e o raso. Porém, quando se faz distinções/oposições como estas, uma das sentenças é sempre a “Boa”, aquela que é desejável, e a outra a “Ruim”, ou indesejável. Esses conceitos são passados de maneira quase imperceptível, atrelados aos conceitos populares e fomentados pela classe dominante para atender aos seus interesses e manter uma ilusão de equilíbrio da ordem.
Dessa maneira, em nossa sociedade “Ser heterossexual não é tomado como uma identidade, mas como a identidade, a única normal, natural, desejável.” (AMAZONAS; BRAGA, 2006) assim, ser homossexual é desviante, é feio, é mau. E como desviante da norma, é assustador, pois fomenta o medo de uma quebra na ordem social estabelecida: “a identidade hegemônica é permanentemente assombrada pelo seu Outro, sem cuja existência ela não faria sentido” (SILVA apud AMAZONAS; BRAGA, 2006).
Em um artigo que discute sobre o preconceito, Menezes (2002) faz uma interessante ligação entre esse fenômeno e a história mitológica de Narciso, sendo que se na mitologia o personagem Narciso, um garoto solitário que vivia num jardim, se apaixona pela própria imagem refletida em um lago, e morre afogado em busca de um “outro”, que na verdade era ele mesmo, a sociedade parece se assustar quando se defronta com um individuo diferente dele mesmo, pois está acostumada a buscar aquilo que lhe é familiar, e tudo que é seu oposto parece ser de mau gosto.
Esse contato com o que se mostra de modo distinto do padrão, ocorre, em geral, de modo turbulento: perturba e ameaça desintegrar a identidade “estável” da sociedade do eu. A imposição da presença do outro é vivida como a negação dessa aparente ordem. A palavra ordem está vinculada ao desejo de manter a estabilidade, o estágio de constância que é determinado pela manutenção do mesmo esquema social. (MENEZES, 2002. p. 4)
Crochik (1997) afirma que o preconceito remete os estudiosos às questões de dominação, onde a proposta de eliminação do desconhecido parece uma boa solução para manter aquilo que já é conhecido, para o que não causa medo, não estremece as relações sociais já existentes.
Zimerman (2004) faz a seguinte afirmação:
Todo aluno, ao entrar na Escola, traz consigo uma bagagem de valores, aptidões, angústias, identificações e, principalmente, um mundo interior, configurado a partir de uma combinação de fatores que procedem de duas fontes fundamentais: a biológica-heredo-constitucional, e a ambiental, na qual desponta como fator primacial a influência dos pais, além de irmãos, amigos, colegas, professores e a cultura em geral. (ZIMERMAN, 2004)
Baseados nisso e tendo conhecimento de que dentro do ambiente educacional encontramos uma rica diversidade, e, levando em consideração que a escola deve ser um lugar onde os valores morais são construídos, refletidos e não meramente impostos, parece pertinente uma intervenção realizada através de uma metodologia participativa/problematizadora a fim de socializar o conhecimento individual, potencializando o conhecimento de todos.
Scopel e Gomez afirmam que:
A formação de valores na escola proporciona aos alunos o respeito mútuo às diferenças, à solidariedade e à tolerância com os colegas e demais pessoas de seu convívio, levando-os a trabalhar em equipe e se socializar, aprendendo a ganhar e a perder. O resultado da educação de valores na escola ajuda os alunos a se desenvolverem como pessoas humanas, proporcionando o desenvolvimento harmonioso de todas as qualidades do ser humano.
A escola não consegue modificar sozinha o imaginário e as representações coletivas negativas que se construíram sobre os ditos “diferentes”, mas ocupa um lugar de destaque quando se trata de superação do preconceito.
Quando vemos que cenas como a do garoto Casey Heynes, de 15 anos, tomam proporções tão grandes levando milhares de pessoas a concordarem com uma agressão e até elogiarem o comportamento do garoto que revidou a mais uma das inúmeras provocações que sofria (o que chamamos de bullying), temos a real imagem do problema vivido diante dos preconceitos enraizados na sociedade.
As pessoas que apoiaram a “vingança” do menino o fizeram porque se sentiram compadecidos e até mesmo identificados com a dor que ele vinha carregando há tanto tempo e que acabou “explodindo” em um comportamento completamente diferente da conduta habitual do garoto.
A questão é… Ninguém percebia o sofrimento desse garoto? E aqueles que o usavam para chacota, aprenderam com quem a acreditar que ele era inadequado socialmente?
As coisas só vão mudar quando as pessoas passarem a ser vistas muito mais pelo seu caráter e personalidade do que pelos rótulos socialmente impostos. E quem tem responsabilidade nisso?
Os pais, a escola e a sociedade em geral… E isso quer dizer: eu e você!
O que temos feito para mudar essa realidade? Volta e meia não usamos jargões populares diminuindo uma raça, uma classe social ou usando de estereótipo pré-conceituoso?
Precisamos julgar menos, amar mais. Criticar menos, vigiar nossas palavras e ações um pouco mais.
A mudança começa a partir de mim e de você e daquilo que cobramos da escola, da sociedade e dos nossos filhos, maridos, amigos… Enfim. As mudanças só podem ocorrer quando nós permitimos e agimos para que ela ocorra.
O que temos feito para isso?
Você viu o vídeo do garoto Casey Heynes? Veja:






