Pedaços de mim!!!

Leves, livres e soltos pensamentos meus pairando pelo ar… Críticas, lamentos, dores e amores… e um pouco de paz! Meu blog, meu cantinho pra desabafar!

28.6.08

No divã…

 

Silêncio mortal…

Ela chamava isso de silêncio terapêutico…

 

Não que ela soubesse muito bem o que isso significava, mas é que uma vez ela havia lido em algum livro de psicologia que o silêncio dentro do setting também tinha um significado…

 

Ficou curiosa para saber o que a pessoa atrás do divã estava fazendo enquanto ela simplesmete estava quieta…

 

Quis muito olhar… mas… e se ela estivesse dormindo?

E se ela estivesse jogando algum joguinho no seu celular?

 

Desistiu…

Seria frustração demais perceber que nem mesmo para sua terapeuta o que ela dizia era interessante…

 

Esperou mais uns segundos e testou… só para ver se ela estava sendo ouvida:

 

- Então…

Ouviu um som:

- Hum…

 

Ok… ela estava ali!

 

Era interessante pensar que uma pessoa conseguia fazê-la entender tanto sobre si mesma…

coisas que ela nunca teria pensado sozinha…

 

Quem diria que seu medo de amar estava estritamente relacionado ao fato de não se achar boa o bastante para ser amada?

Ninguém nunca teria lhe dito isso…

Pelo menos não da maneira que ela havia falado…

 

Continuou:

- Sabe, eu estava pensando… Se eu dissesse para ele o quanto o quero, seria me expor demais e me mostrar vulnerável?
Eu sempre tve medo de demonstrar minhas emoções…

talvez até por medo de que me ridicularizassem por isso, olhassem pra mim e dissessem:

"Você me ama? E daí? o que eu tenho haver com isso?"

 

- Você acha que alguém lhe diria isso?

 

- Certamente…

 

- E eu fico pensando quem é que já te disse isso… talvez não com essas mesmas palavras, mas quem é que te disse que você não era boa o bastante para amar alguém?

(Ela sabia… ela sempre sabia!)

——————–*———————-*———————————-

 

Acho que a busca por auto conhecimento é uma das maneiras mais eficazes de se torner uma pessoa mais feliz…

 

É claro que vou defender aqui a psicologia… afinal de contas não poderia ser diferente não é?

 

Mas acho interessante ressaltar que assim como uma ferida, nem sempre os efeitos de um tratamento terapêutico são, a primeira vista, os mais esperados…

 

Adorei uma comparação que um colega fez…

 

Pense como se você tivesse machucado sua perna e tivesse, então, que ir à enfermaria para poder tratar esse machucado…

Primeiramente a enfermeira teria que mecher nesse machucado, limpá-lo, cutucar um pouco… isso pode causar alguma dor, sangrar um pouco… mas é a única maneira de ele estar preparado para receber o tratamento adequado, os remédios certos e poder cicatrizar…

 

Assim também acontece com as feridas "da alma",

com os impactos causados sobre nossa psiquê!

 

Nem sempre o trabalho terapêutico é o mais rápido e indolor… mas na maioria das vezes é o mais eficaz…

 

Mas pensando bem,

que machucado não precisa de tempo e um pouco de dor inicial para cicatrizar?

 

O amor do passado que demora pra passar…

O emprego perdido que não é fácil de se conformar…

 

Pensando bem, o que é que não precisa de tempo e paciência pra ficar tudo bem? hein?

criado por lilinhamorim    21:35 — Arquivado em: Sem categoria

26.6.08

Quando a dor é maior…

 

 

- As paredes estão despedaçando…

Ela gritava incessantemente…

- O teto… olha esse teto, ele vai desabar sobre mim…
As manchas escuras da infiltração estão começando a se espalhar por toda a casa…

Era desesperador ouvir ela gritando…

- Meu Deus… alguém me ajude! Vocês não estão vendo???
Me deixem ir embora daqui, os móveis estão rachando…
O chão, olha esse chão… está todo podre…
Tenho certeza que ele rachará dentro de alguns minutos também…

Segurávamos ela… Ela estava aos prantos…

- Vocês são loucos… porquê querem me manter aqui? Vocês querem me matar…
Eu não suporto o medo que estou sentindo…
Se eu não morrer com um pedaço do teto sobre minha cabeça, morro de tanto medo…
Olha, o chão… o chão… começou a rachar…
Vocês são loucos, como podem fingir não estar vendo?

Suas súplicas podiam ser ouvidas a quilômetros de distância, tamanha era sua dor, tamanho era seu medo…
Caiu no chão, já fraca de tanto lutar contra as três pessoas que a seguravam…

- Meu Deus, alguém me ajuda… Socorroooooooo!
Estou com medo, estou sozinha,
Vocês são todos loucos…
Como podem querer que eu esteja bem num lugar que está despedaçando?
Como podem me pedir para ter calma quando olho ao redor e tudo que vejo são destroços?
Como vocês acham que eu me sinto?
Que forças acham que eu tenho?

Foi aí que começamos a entender…
Não era a casa física que se rachava…
Era seu próprio coração…

- Alguém me ajuda pelo amor de Deus… O teto… o teto começou a cair…

criado por lilinhamorim    3:24 — Arquivado em: Sem categoria

24.6.08

Emos

 

Andando pelo shopping vejo garotos e garotas vestidos da maneira mais "in" da atualidade…

Franjões tampando um dos olhos, roupas e acessórios xadrex,

piercings e cabelos coloridos…

 

Mas o que me chama realmente atenção não é só a moda jovem de se vestir…

 

Existe quem seja contra, quem jura ser incapaz de conviver com um emo…

E existem aqueles que defendem essa tendência…

 

Eu acho natural os adolescentes tentarem se encontrar dentro de um padrão,

dentro de um grupo,

faz parte do desenvolvimento de qquer ser humano tentar se socializar e encontrar pares…

 

Mas… estive pensando se talvez essa tendência a cultuar tanto o sentimento,

a sentir tudo com tanta ênfase,

A amar sem medos tudo e todos, que muitas vezes parece superficialidade para uns,

sentimentalismo barato para outros e falsidade para mais alguns…

Não seria, talvez, apenas uma maneira que esses jovens

(enquanto seres sociais)

encontraram para extravasar a repressão que a sociedade faz ao "sentir"?

 

Muitas vezes somos obrigados a fingir que não sentimos o que estamos sentindo, apenas por uma imposição social…

 

Fingir que não se tem medo de algo, quando tudo  que mais se queria era sair correndo…

 

A sociedade exige de todos nós um padrão de comportamento que muitas vezes não condiz com o que realmente desejamos fazer…

 

então penso, não seriam esses jovens amostras significativas e extravagantes do que todos nós sentimos?

 

Isso é só um pensamento, talvez relevante, sobre o medo das pessoas de demonstrarem o que sentem…

De demonstrarem suas fraquezas e carências…

 

Até onde devemos nos expor e até onde esse comportamento é risco para nós mesmos?

 

criado por lilinhamorim    19:44 — Arquivado em: Sem categoria

14.6.08

Lírios…

 

Era um jardim de lírios… lindos lírios!
Ela caminhava pelas estradinhas já delineadas com perfeição
para que não se pisasse no jardim…

Era dia dos namorados… Ela sempre pensara que essa era uma data comercial inventada pelo capitalismo a fim de fazê-la sentir-se obrigada a duas coisas: ter um namorado e ter dinheiro…
Mas até aquele dia, ela nunca sentira-se assim…
Mas hoje… Hoje era um dia diferente…

Ela caminhou um pouco mais distante, deslumbrada com as maravilhosas flores…
Se perguntava se as pessoas sabiam que antigamente mágicos e bruxos faziam, a partir daquelas flores magníficas, um perfume mágico… A flor, considerada também símbolo de pureza, ajudaria na reconciliação daqueles que se amavam: um pedaço do seu bulbo teria o poder de reaproximar os namorados que romperam as relações.
Sentindo o perfume daquelas flores, ela pensava: “Talvez se eu fizesse um perfume mágico…”

Observou por alguns instantes o sol que nascia fazendo-a se despedir da noite realmente marcante que tivera… As lágrimas molhavam sua face… Num misto de incapacidade e dor… Mas ali ninguém a veria… estava salva por entre os lírios da madrugada…

Jamais imaginaria que sentiria toda aquela dor novamente… o peito parecia dilacerar… As mãos, trêmulas, buscavam onde se aquecer… Estava frio! Mas mais frio estava dentro de si…
Ele não a queria mais… Ele não a desejava mais… não queria mais sentir seu corpo, provar seu beijo, sentir seu gosto…
Ele a abandonara dizendo que ela era agora uma simples amiga…

Como ela podia ser amiga de alguém que tanto amava???

Como ele podia tê-la esquecido com tamanha facilidade?

O que causara nele tamanho distanciamento?
Seria o cabelo dela? Será que ele notara a orelha de abano?
Será que ela não satisfazia seus desejos?
Será? Será? Serás…

Seria a mágica do lírio capaz de ajudá-la? Será?

E ela continuava a caminhar, ás vezes tinha que sentar um pouco, respirar o ar puro das flores… e depois???
Ah… depois ela levantava e recomeçava a caminhar…
Talvez encontrasse ali alguém que gostasse de lírios também… assim… alguém só pra conversar…

criado por lilinhamorim    6:58 — Arquivado em: Sem categoria

2.6.08

Recomeço…

Novos caminhos a seguir…
Recomeçar a cada dia com mais emoção…

 

A menina olhou nos olhos daquele garoto diante de si, e viu um brilho especial…
Tentou entender o que estava acontecendo ali, mas não achou como denominar…

Havia muito tempo ela não se entregava tanto à alguém assim…
Mas algo naquele olhar lhe confortava, lhe fazia sentir-se mulher… amada!
Talvez não fosse um sentimento que durasse pra sempre… mas ela não estava preocupada…
Ela queria mesmo era viver o agora…
Se permitir e não cometer os mesmos erros de antes…

Suas mãos trêmulas pelo frio agora tinham onde se aquecer…

Aquela pessoa diante de si não era mais um desconhecido…
Era alguém que queria estar presente em seu dia-a-dia, fazê-la mais feliz…

No outro dia ela acordou bem…
sonhava acordada com todas as palavras que ele havia lhe proferido…
Acreditando em cada declaração, em cada gesto daquele que se dizia seu…

Depois de sair do trabalho ela vinha caminhando pela rua, tranquilamente, pensando no que compraria para o jantar…

seus olhos não se fixavam em lugar algum… ela apenas caminhava…
Derrepente um garoto vestindo um moletom vermelho postou-se diante de si…
Ela olhava-o atônita…

O cheiro do seu perfume penetrava suas narinas, sem pedir licença…

O encontro inesperado não lhe causava reação alguma…

ela não conseguia pensar…
Ele olhava-a nos olhos… e, levando suavemente sua mão até a face dela, conseguiu fazê-la reagir… ela tremeu…

e tremia como uma criança acuada, perplexa por não saber lidar com tudo aquilo que lhe acontecia…
Seu coração palpitava forte, e ela tinha a nítida sensação de que ele poderia ouvir…

Ele beijo-a docemente na face, e, sem perguntar nada, já sabia todas as respostas que ela lhe daria…

Ela sabia, mesmo naqueles breves instantes, que aquilo lhe causaria problemas…
Não com o namorado que a esperava, certamente com flores nas mãos, diante do seu prédio…
Mas consigo mesma… com seu coração!

Ele fitou-a uma vez mais e partiu…
Deixando-a novamente sozinha em meio a tantos pensamentos…

Ele parecia adivinhar os efeitos que causava nela… ele parecia saber que aquele coração, mesmo tentando se reconstituir, ainda estava em pedaços…

E ela agora, andando novamente, perdia-se em seus pensamentos…

Como podia refazer sua vida, recomeçar do zero ao lado de outro alguém, se aquele por quem se perdera de paixão, ainda lhe causava tanto frisson???

Caminhou mais algumas quadras e logo se encontrava na esquina do seu apartamento…
De longe enxergava aquela figura sem igual…
Aquele rapaz por quem seu coração começava dar os primeiros sinais de afeição…
Deixou-se ficar por um minuto a mais na esquina, tentando descobrir qual seria sua reação…

Depois de alguns instantes continuou a caminhar… chegou perto do rapaz e lhe disse:
- Não sei porque, não sei como, nem até quando, mas eu te quero, como nunca pensei que fosse querer!

Se alguém visse essa cena acreditaria piamente que ela estava sendo falsa, que estava sendo injusta com os sentimentos daquele rapaz…

Mas o que ninguém sabia era o que ela realmente queria sentir por ele…
Ninguém entenderia, mas ele agora, sem dúvida, era o que ela queria!

Cansada de sofrer, cansada de se entregar em vão… com tantas coisas pra viver, ela precisava sentir-se desejada, querida…
E viver aquele antigo sonho já não dava mais…

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Quantas vezes olhamos pra trás com saudades do que se passou???
Quantas vezes tentamos decidir entre viver as emoções do passado e as novas emoções que se colocam diante de nós?
As velhas oportunidades, ou as novas?
Deixar o medo de tentar de lado, ou entregar-se a ele?

Cabe somente a nós pesar o sofrimento e a felicidade que cada decisão nos trará…

Nem sempre é fácil recomeçar… mas quem disse que é fácil viver?

criado por lilinhamorim    0:25 — Arquivado em: Sem categoria

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