12.5.09
A raiz do Preconceito
O tema que não me abandona a mente um só segundo hoje, é, sem dúvida, de suma importância a ser trazido à tona…
Dia 13 de Maio comemora-se o Dia Nacional de Luta contra o Racismo… E o que pretendo falar aqui, é sobre preconceito.
O processo histórico brasileiro se desencadeou através da inter-relação entre três principais grupos étnicos: portugueses, índios e negros de origem africana. Essa mistura transformou nosso país num lugar reconhecidamente miscigenado e multifacetado.
Nosso país é rico de culturas, sabores, cores, traços, gostos, tradições…
O que era pra ser a salada mista mais bem feita do universo causou uma série de desencontros…
Caetano Veloso cantou: “…Quando te encarei frente a frente, não vi o meu rosto; chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto; é que Narciso acha feio o que não é espelho…”.
Talvez quem repetiu a canção nem se deu conta do que dizia… Mas quem sabe ai estivesse a resposta de qual é a raiz do preconceito…
A maioria das coisas que conhecemos é sempre classificadas binariamente: O preto e o branco, o claro e o escuro, o dia e a noite, o fundo e o raso…
Mas, não se enganem, nenhuma classificação é feita de maneira ingênua. Quando fazemos essa distinção/oposição, uma das sentenças é sempre a “Boa”, aquela que é desejável, e a outra a “Ruim”, ou indesejável…
Foi assim que aprendemos a distinguir as coisas, desde crianças…
Na mitologia o personagem Narciso, um garoto solitário que vivia num jardim, se apaixona pela própria imagem refletida em um lago… a questão é que ele não conhecia sequer um espelho, e imaginou que a aquela imagem que via era uma outra pessoa… Morreu afogado em busca do “outro” que era ele mesmo…
Pra mim, o grande problema do preconceito é esse…
A sociedade atribuiu ao branco, ao rico, ao bonito o status de “Bom”, “Desejável”, e é o que vemos refletido no espelho… Talvez a grande questão seja mesmo a falta de conhecimento (de ter um espelho pra se olhar e descobrir que aquele é você, não o outro. E que nenhuma outra pessoa precisa ter uma imagem parecida com a sua!).
Mas, existe um ponto que me parece ainda mais profundo nessa discussão… Por que a sociedade ainda fecha os olhos diante dessa realidade? E lhes respondo: Para evitar o possível caos!
“(…) busca manter o status quo, para o que é necessário calar o outro, mantendo-o excluído e dominado a fim de permanecer a ilusão do equilíbrio e da ordem vivida na ausência da diferença.” Waléria Menezes
Dessa maneira os interesses do grupo dominante continuam sendo levados em alta consideração, e aquilo que é considerado um “defeito”, porque foge do que é “normal”, passa a ter mais relevância do que a própria identidade de uma pessoa ou de um grupo…
Ou seja, a pessoa não é mais um individuo com uma série de características que a transformam num ser único, capaz de algumas coisas e incapaz de outras… ela é apenas o “defeito” que a sociedade sugere, imbuído de todas os estereótipos enraizados: O negro, o deficiente, o gordo, etc.
O que quero dizer com tudo isso?
tem um video que vai explicar melhor… Clique no link abaixo (Abrirá uma página do youtube)
Mas o que quero dizer é que esse preconceito vedado, que muitas vezes fazemos sem nem ao menos perceber, é algo passado de geração pra geração, mantendo uma estabilidade muito mais ligada aos interesses de uma sociedade que tem medo de mudar do que à características reais…
Que tal repensar como você tem lidado com isso?


criado por lilinhamorim
12:54 — Arquivado em:
Comentário por Karol Rabelo — 8.6.09 @ 5:28
“Que tal repensar como você tem lidado com isso?”
Que tal repensar qtas coisas deixamos por preconceito, não assumimos por preconceito, omitimos por puro preconceito.
às vezes é mais fácil mudar de nome, ignorar, apenas pra num cair no ‘trivial’…
mas num deixa de ser o “bom” e velho preconceito batendo na nossa porta e a gente fingindo não ver!
Lilinhaaa.. faz tempo q num passava por ake, gostei do texto!!
O que vc faz mal feito???
=*