Pedaços de mim!!!

Leves, livres e soltos pensamentos meus pairando pelo ar… Críticas, lamentos, dores e amores… e um pouco de paz! Meu blog, meu cantinho pra desabafar!

22.7.09

No ritmo da vida a morte dá o compasso

 

“A vida e a morte, são como dois bailarinos que sincronicamente fazem juntos todos os seus movimentos; passos, gestos e sutilezas”

 

Com seus altos e baixos a vida é dada a nos surpreender… Algumas vezes de maneira positiva, outras nem tanto assim…

Uma vez minha mãe me disse “Que nos bailes da vida a felicidade seja seu par!”, e desse dia em diante comecei a comparar a vida aos passos de uma longa e intrigante dança… Talvez nem sempre tão longa assim, mas nem por isso menos intrigante.

A vida dança conforme a música, e o ritmo que irá tocar como fundo musical que encenará nossas vidas, só nós mesmos podemos escolher.

Por vezes já ouvi a frase “A vida é curta!” na boca de pessoas das mais diversas origens e personalidades. Mas, ao meu ver, fazemos disso uma filosofia para os outros e não para nós mesmos.

Somos ensinados a rejeitar a dor a qualquer custo. E isso é um erro. Fica muito mais fácil lidar com algo quando se sabe a respeito desse algo. Fica mais fácil lidar com a vida quando se sabe da morte. Fica mais fácil aproveitar cada segundo sabendo que ele chegará ao fim, que nada, além de nossas almas, é eterno.

Deveríamos perceber que vida e morte estão intrinsecamente ligadas. Como muito se diz, a única certeza da vida é a morte. E aprender a lidar com ela é uma necessidade. E ela se apresenta diante dos nossos olhos sempre, porém algumas vezes desejamos fechar os olhos e fingir que ela não existe.

Todos os dias milhares de células morrem em nosso corpo. Ao mesmo tempo, milhares de outras novas células nascem dando prosseguimento ao constante caminhar da vida. Assim mesmo cada segundo, minuto, hora e semana chega ao fim, possibilitando que um novo segundo se torne real.

Freud disse que “não sabemos renunciar a nada. Apenas sabemos trocar uma coisa por outra”. E isso é elaborar o luto. É isso que devemos aprender: se libertar do desejo, quando ele não pode ser realizado, e ir em busca de um novo desejo, mais palpável e real.

Deixar pra trás coisas que já não pertencem mais ao nosso ritmo de vida, como amores, trabalhos, chances perdidas, são necessidades básicas para se viver.

Isso não serve para dizer que não devemos correr atrás de nossos sonhos, ou viver intensamente nossas paixões e que não devemos dar o nosso máximo para conseguir o que queremos, mas sim, para dizer que a vida continua apesar de não ter conseguido. É preciso saber quando algo chega ao fim, e aceitar isso.

Uma das maiores dificuldades de se perder algo ou alguém (seja com a morte física ou a emocional), é a ideologia do ter para ser, onde acreditamos piamente que sem aquele objeto de desejo não seremos mais nós mesmos, perderemos a nossa própria identidade. Esquecemos, contudo, que um dia aquela coisa, aquela pessoa, aquela chance ou aquele trabalho, não fazia parte das nossas vidas, e mesmo assim nós sabíamos viver. Perder algo não é perder a si mesmo. Perder um pedaço não é perder o todo.

Devemos sim ser gratos pelo que passamos, pelo que sentimos, pelo que vivemos. A gratidão serve como remédio para as feridas. Nem a morte é capaz de anular o que já aconteceu, o que já vivemos. Mas é necessário que nos desliguemos do que passou, que deixemos o passado exatamente onde ele está, que aproveitemos dele apenas o que nos serviu como aprendizagem e sigamos em frente.

“Trata-se de passar da dor atroz da perda, à doçura da lembrança”, dizia Sponville.

É apenas com o final de uma etapa que se pode começar outra. Com o final de um amor que se pode viver outro. Para começar algo novo é preciso, no entanto, dar o primeiro passo!

E para dar o primeiro passo é necessário ter coragem para enfrentar a dor, não temê-la, mas sim senti-la no tempo necessário, e que esse tempo seja breve, porque existem muitas outras coisas para serem vividas.

Para aprender a viver é preciso aprender a dançar… E se o ritmo que a vida lhe impõe não está confortável pra você, vire o disco, troque o cd, baixe um novo download. Só você pode saber os passos certos para sua canção, e só você pode fazê-los tornarem-se reais.

A morte é para ser sentida durante o tempo certo. Já a vida, é para ser vivida, em toda sua intensidade.

 

Nova etapa de vida: Aí vou eu!

criado por lilinhamorim    4:39 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:, , ,

16.7.09

Psico-Psicologia

 

Às vezes me deparo com fatos interessantes relacionados à difusão da Psicologia: Pessoas falando jargões profissionais como se fossem verbetes do dia-a-dia. Termos que até então eu considerava circunscritos apenas ao meu grupo profissional tornam-se muitas vezes comuns entre os leigos.

É aí que me divido entre a extrema felicidade de perceber que minha profissão vem ganhando espaço e sendo considerada útil, uma vez que por muito tempo (e até hoje, infelizmente, em alguns aspectos) perdurou o estigma de uma Psicologia elitizada, destinada apenas à classe alta da sociedade ou aos considerados loucos (se bem que a loucura é discutível… Papo pra outro dia!), e ao extremo desespero de ver esses jargões sendo, muitas vezes, utilizados de maneira errônea.

Depressão, estresse, hiperatividade (TDAH) e mais recentemente o bullying e a bipolaridade, entre outros tantos que não me vêm à cabeça no momento, são termos que as pessoas usam muitas vezes sem ter o menor parâmetro profissional para tanto.

A divulgação da existência de transtornos que afetam muito mais do que somente o corpo e que devem também ser tratados psicologicamente, por um lado é de extrema importância e eficácia para obter um diagnóstico mais rápido e possibilitar um tratamento mais simples, por outro lado, essa divulgação em massa e muitas vezes sem um controle mais criterioso das informações e de que maneira elas serão passadas, possibilita o risco de criar rótulos em pessoas que muitas vezes nem tem um transtorno psi, de fato.

Mães que, preocupadas com a falta de limites dos filhos, acreditam na hiperatividade muitas vezes como maneira de fugir da responsabilidade e culpabilidade; Pessoas que “se estressam” por qualquer motivo e indivíduos que chamam de depressão qualquer choro que se lhe acomete… Pessoas que sabem apenas superficialmente sobre o que estão falando… mas talvez não saibam a real proporção dos transtornos a que se referem…

Ao meu ver as Escolas, a comunidade, a Igreja, os telespectadores da televisão devem sim ter acesso à essas informações, mas não como algo banal, pois isso pode criar problemas para o próprio indivíduo considerado “doente”. Não são apenas os sintomas que devem ser divulgados, mas também o cuidado especial que se deve ter para diagnosticar alguém, e a certeza de que apenas profissionais habilitados para tal podem, de fato, comprovar uma possível suspeita a esse respeito.

Pra mim, a Psicologia só vai ser considerada uma profissão renomada, tal qual a Medicina, o Direito, a Engenharia, etc, quando houverem profissionais competentes e preocupados não só com a detecção de doenças, mas antes de tudo com a promoção da saúde. Assim podemos realmente nos transportar do modelo médico-mecânico à um modelo de humanização da saúde, preocupados com os aspectos bio-psico-sociais dos seres humanos.

 

 

 

criado por lilinhamorim    4:36 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:, ,

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