Pedaços de mim!!!

Leves, livres e soltos pensamentos meus pairando pelo ar… Críticas, lamentos, dores e amores… e um pouco de paz! Meu blog, meu cantinho pra desabafar!

24.11.09

Casos mal resolvidos

Quem é que nunca teve uma paixão dessas fulminantes que deixam marcas invisíveis e completamente alucinantes?

Quem é que nunca arrepiou de paixão? Acreditou em contos de fada? Estremeceu todo ao ouvir o nome de alguém? Me fala, quem?

Quem é que pode se gabar de ter completo controle sobre as emoções que nunca sentiu borboletas no estômago e nem sudoreses de ansiedade?

Pois bem… E agora, diz pra mim, quem é que nunca teve uma paixão mal acabada? Um amor mal resolvido? Uma amizade colorida, inexplicável, indecifrável, e particularmente linda?

Sempre tem uma relação que não terminou com clareza, ou que insiste em causar arrepios em cada novo encontro casual… Ou mesmo deixar marcas desagradáveis pelas incontáveis palavras não ditas escondidas por de trás dos olhares…

Um amor que se jurava eternizado e derrepente chega ao fim… Quem é que nunca teve?

Tanta coisa pra conversar… Tantas coisas que a gente quer ouvir… Explicações para se dar, sentimentos para se sentir…

E eis que surge a oportunidade de repartir antigos segredos, contar seus medos, tirar suas dúvidas e poder dar suas explicações… Um encontro casual totalmente providencial… E… Mais uma vez a estática sensação de querer apenas aproveitar cada segundo ao lado desse alguém… De trocar olhares, risadas, de poder saber se a pessoa está bem.

Ah, essas paixões enlouquecedoras fazendo-nos perder completamente o juízo, fazendo-nos esquecer de todas as promessas de não olhar nunca mais na cara, de não dirigir sequer a palavra ou mesmo o olhar…

Mas a conversa volta a fluir, o desejo volta a existir, as palavras se perdem enquanto os olhos já não querem mais se perder. A boca entreabre-se, sedenta por um beijo cujo gosto o coração jamais esqueceu…

A cena se repete, os sentimentos são os mesmos, o cheiro é o mesmo, o desejo permanece inalterado e constante… Cada pêlo do corpo decide evidenciar-se e deixar transparecer todo prazer pela realização de um desejo antigo e quase inconsciente…

O beijo termina… A conversa chega ao fim… Triste hora de partir…

E cada um segue seu caminho, levando consigo a sensação gostosa que existiu…

E o que resta é a percepção de que eles não são mais as mesmas pessoas… Nem têm mais os gostos tão parecidos assim…

E mais uma vez o silêncio prevaleceu, rompendo as juras de afastamento e as crenças de que tudo tinha chegado ao fim…

Mas o fim nunca chega!

É que de todas as poucas certezas que eles vão ter, uma sempre ficará: “É sempre amor, mesmo que mude!”, e o desejo nunca vai mudar.

Será?

=p

criado por lilinhamorim    5:59 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:, ,

22.10.09

O amor das nossas vidas

Li um texto da Maitê Proença ontem que me fez pensar muito e reavaliar alguns sentimentos…

O texto começava assim: “O amor da minha vida eu encontrei, tem nome, é de carne e osso, e me ama também. Agora falta encontrar alguém com quem possa me relacionar. É que o homem da minha vida não cabe em mim e eu não caibo nele. Não basta que a gente se queira há muitos anos”. E depois ela ainda acrescentava: “Não basta que haja amor para se viver um amor”.

Eu concordo com ela em gênero, número e grau. Infelizmente.

Pensando bem em tudo que já vi e vivi, a gente não tem o direito de ficar com o amor das nossas vidas… Aquele que nos deixa de pernas bambas e faz o pensamento sair do ar… Aquele um que nos ensinou o doce gosto da paixão e nos ensinou cada uma das coisas maravilhosas que hoje sabemos…

O amor das nossas vidas não pode ficar conosco… Ele vem, passa uma temporada, marca eternamente nossas almas, ensina-nos coisas maravilhosas e depois se vai!

E aí ele vai viver a vida dele… Casa, tem lindos filhos e ensina a essa nova família coisas também maravilhosas… Mas ele também ficará marcado pro resto da vida… Guardando na boca o gosto do beijo daquela que ele sonhara viver para sempre… Mas ela não é mais a mulher da sua vida… É apenas um antigo amor.

O amor das nossas vidas de certo não nasceu pra viver conosco. Ele vem, planta sementes e depois se vai. Certo de que os frutos estarão vivos para sempre.

E por mais que a gente tente esquecê-lo, e por mais maravilhosos relacionamentos que tenhamos depois dele, e por mais que também casemos e tenhamos lindos filhos… O amor das nossas vidas vai ser sempre aquele.

Aquele que sabia o nosso humor só de se aproximar de nós, Que não media esforços pra ver um sorriso estampado em nossa face. Aquele um que fazia planos de viajar pelo mundo todo ao nosso lado, ou simplesmente envelhecer juntinho com a gente ouvindo rádio. O amor das nossas vidas é aquele que, por algum motivo, não está mais do nosso lado… Mas vai ser pra sempre o exemplo de namorado, amante ou marido perfeito. A pessoa para a qual nossos pensamentos se voltam toda vez que algo ruim acontece, que algum relacionamento se desfaz, ou aprendemos algo novo, aquele algo que é justamente o que ele tanto queria aprender.

O amor das nossas vidas é perfeito… Eterno… Fiel. Ele vai sempre estar presente nas nossas vidas, mas nunca fisicamente. Porque amor, amor mesmo, só se vive uma vez. O resto é conseqüência, é repetição…

Eu já encontrei um grande amor… Ele já se foi da minha vida… Basta agora que eu encontre alguém com quem possa conviver, com quem possa dividir meus aprendizados e conhecer os dele. Basta que alguém queira estar ao meu lado por opção e me fazer feliz ao mesmo tempo em que eu faço isso por ele. Talvez ele não seja o grande amor da minha vida, mas no fundinho nós dois vamos saber que isso é uma benção, porque se fôssemos o grande amor um do outro, estaríamos fadados a nos perder.

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Engraçado isso… Eu sou Psicóloga, Espírita e mulher…

Como Psicóloga poderia dizer que esse texto fala sobre repetições de vivências mal elaboradas. Poderia dizer ainda que o inconsciente não se cala até que seja ouvido e por de trás dessas repetições existe algo que “grita” por socorro. Diria ainda que tudo isso é fruto de projeções feitas a um objeto que, de alguma maneira, representa as vivências edípicas do passado.

Como Espírita eu poderia falar que as coisas não acontecem assim, que estamos num mundo de regeneração espiritual e podemos sim conviver com o grande amor das nossas vidas, por mais ou por menos tempo, isso depende do nosso merecimento e das provações que escolhemos antes de reencarnar. Isso é livre arbítrio. E se perdemos a chance de estar com esse grande amor, foi escolha nossa. Mas realmente as aprendizagens colhidas ao lado desse alguém serão levadas conosco para sempre.

Como mulher… Eu simplesmente quero ser feliz. Eu sei que tenho o dom do amor dentro do meu peito. Eu sei que tenho possibilidades de evoluir cada dia mais e tenho certeza de que isso se torna mais fácil quando se tem um companheiro ao lado lutando as mesmas lutas, celebrando as mesmas vitórias, chorando as mesmas lágrimas e vivendo o mesmo sentimento. Não importa se esse sentimento não seja mais aquela paixão avaçaladora que senti nos tempos de outrora. Não me importa que as minhas pernas não bambeiem e meu coração não dispare mais. Me importa sim que eu tenha um companheiro fiel e amigo, que esteja comigo, que me faça delirar às vezes, porém com os pés no chão.

E de tudo fica essa música:

Gostava tanto de você

Nem sei porque você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus, não pude dar
Você marcou em minha vida
Viveu, morreu na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão, que em minha porta bate

E eu
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você

Eu corro fujo desta sombra
Em sonhos vejo este passado
E na parede do meu quarto
ainda está o seu retrato
Não quero ver pra não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
o pensamento em você…

E eu
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você

criado por lilinhamorim    3:41 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:,

7.5.09

E… Quando é a hora certa de dizer “Eu te amo”?

Não é que fique irritada com os casaizinhos que acabaram de se conhecer e proclamam aos 7 ventos que “se amam” (Na verdade fico sim, mas não posso assumir)… Mas… Tenho me perguntado ultimamente se existe um momento certo pra dizer que realmente se ama alguém…

Será que isso segue alguma regra?

Existem regras pra tudo… Mas já ouvi falar que não existem regras definidas no jogo do amor… Será?

Quando se trata de sentimentos, é sempre a mesma coisa… todo mundo diz que a hora certa é quando você sente vontade, que tudo vale a pena na conquista e várias coisas assim… Eu até acredito nisso…

Mas fiquei pensando, será que realmente se pode dizer “Eu te amo” a alguém que se conhece a pouquíssimo tempo?

Bem, eu não tenho medo dessas três palavrinhas, acho elas lindas e que devem, sim, ser usadas! Porém… minha exigência é: Desde que sejam bem usadas!

Tem uma crônica do Arnaldo Jabor que diz o seguinte: “”Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário, os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.”.  Então, o que faz, de fato, as palavrinhas mágicas serem usadas de maneira real?

Quando se ama você sabe quem a pessoa é, o que ela te faz sentir… e para mim, pra isso, é necessário um tempo.  Não se conhece alguém da noite para o dia… o frisson da cama, o olhar que nos deixa alucinados e derretidos… Só isso, sozinho, não é amor! Amor é mais que isso… Pelo menos pra mim.

Pra mim, amor é companheirismo, é um não imaginar-se mais sem aquela pessoa, saber que gostaria de ser dela pro resto da vida, é não supor felicidade fora daquela relação… é saber que tem um amigo fiel, um ombro, um colo, e alguém com quem realmente se preocupa…

Amar vai além do egoísmo, transpõe as barreiras do orgulho, e faz com que os olhos vejam coisas que nunca viram e o coração sinta coisas que nunca sentiu…

Desculpem-me aqueles que acreditam no amor a primeira vista… Mas eu não diria “Eu te amo” só por dizer, só pra agradar, ou simplesmente por que alguém fez com que meu coração acelerasse…

Amor, pra mim, pra ser real, demanda tempo… Porque só com tempo e convivência você pode saber se você aguentará as crises de TPM dela, o estresse dele porque o time perdeu, ou quem sabe a vontade súbita de não fazer nada, ou as loucas crises de ciúmes… é com experiência que você sente se aquela pessoa é pra você…

Diferenças e dificuldades a serem superadas sempre existirão em qualquer relação…

 O que, pra mim, determina se é amor, é ter vivenciado coisas que, se fosse com outra pessoa, você talvez não agisse da maneira que você agiu com aquela pessoa realmente especial…

Porquê quando a gente ama alguém todas as nossas regras caem por terra… e nos vemos fazendo coisas que até então pareciam impossíveis pra nós…

Então, se alguém me perguntar se existe tempo certo pra dizer o tão sonhado “Eu te amo”, eu responderei: Existe! Certamente é o momento que seu coração julga como sendo o exato… mas não se apresse demais… amar alguém é ao mesmo tempo uma dádiva e uma grande responsabilidade…

Então, que tal antes de dizer o “I Love you, meu xuxu”, verificar se realmente o que você sente é real… ou se é passageiro?

Você não gostaria que alguém brincasse com seus sentimentos, não é? Então, tente não brincar com os dos outros…

 

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Bem, mas se você já parou pra se auto-analisar e decidiu que realmente aquela pessoinha é quem você ama… Que tal se declarar de um jeito super especial?

Cada pessoa tem seu jeito… Eu, pessoalmente, adoro demonstrações especiais, inteligentes, surpresas realmente agradáveis que vão desde um bilhetinho escondido dentro da minha bolsa até uma declaração mais elaborada, com direito a pétalas de rosas espalhadas pela casa…

Na internet existem um milhão se sites que te dão dicas de como se declarar…

No site: www.portaldoamor.com.br na sessão “Romantismo” várias pessoas contam o que fizeram e o quanto agradaram seus parceiros…

Pra mim o importante é ser criativo e principalmente REAL!

 

=*

 

Preciso Dizer Que Te Amo

Cazuza

Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo, que medo

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É, eu preciso dizer que eu te amo tanto

 

criado por lilinhamorim    6:21 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:,

1.2.09

“Muito aprendizado e um pouquinho sobre mim…”

 

Dois dias e meio no hospital, um hematoma no braço (por causa do soro), dois dias de insônia noturna, dois quartos diferentes (participando da vida de pessoas diferentes) e uma sala de cirurgia… E muito, mas muitooo aprendizado!

Foi toda essa bagagem que eu trouxe de volta pra casa hoje…

Eu, apesar de ter um lado espiritual que acredito ser de extrema importância na minha vida, não gosto muito de apoiar essa ou aquela religião aqui no blog… gosto de expor meus pensamentos, livres de rotulações… Esse post, porém, corre um sério risco de parecer pregação religiosa… Mas mesmo assim, ele é essencial pra mim!

Tarde de quinta-feira, vencida pela dor no rim esquerdo, estava eu adormecida quando minha mãe beijou de leve minha testa, e me disse para continuar a dormir… Mais tarde ao acordar eu tentava descobrir, ainda na cama, se a presença da minha mãe teria sido algo real ou apenas um sonho… Segundos depois a resposta estava diante dos meus olhos… minha mãe havia despencado mais de 400 km de distância mais uma vez (ela estivera aqui no começo da semana) por conta de toda a preocupação que minhas dores renais estavam lhe causando…

Rápida e certeira como Dona Luiza costuma ser, minha mãe não tardou a conseguir minha internação no hospital e a retirada do cateter que há algum tempo estava me causando dores terríveis…

A ajuda divina parece ter começado aí… Minha mãe soube ir pedir ajuda às pessoas certas… E as pessoas certas souberam ajudar de pronto! (Como se agradece alguém de maneira adequada, hein? Um simples “obrigada!” me parece tão pouco… Pati, Tia Sandra… Simplesmente maravilhosas!)

Lógico que eu não tava lá muito feliz em saber que passaria o fim de semana no hospital… mas as dores ganharam…

A noite de quinta feira passei num quarto do andar de cima… No leito ao lado estava uma mulher que era monitorada durante toda a noite… Eu não consegui dormir, tão entretida estava no livro que o amigo me emprestara, e prestei atenção durante toda a noite nos cuidados e procedimentos que se seguiram com a paciente ao lado… Mediam sua pressão, medicavam-lhe, tiravam-lhe a pressão, anotavam os números do letreiro digital da maquinazinha que estava ao seu lado… enfim… um cuidado atrás do outro…

Enquanto isso ia me perdendo no pessimismo de Schopenhauer e nas descobertas do terapeuta Julius acerca da vida e da morte. Não posso imaginar livro melhor para a “saga” que se seguiria… “A cura de Schopenhaue” de Irvin D. Yalom, sem dúvida teve um papel fundamental em todas as minhas descobertas… e olha que eu estava apenas começando a lê-lo.

Bem, acho importante acrestar que nessa mesma noite eu tive um ataque de ansiedade… uma angústia que machucava meu peito de maneira cruel… vários sentimentos me vinham misturados, eu sentia vontade de gritar, de correr, de ligar pras pessoas que haviam me magoado… de me esconder, de fugir…  tudo ao mesmo tempo. As lágrimas corriam, a raiva parecia tomar conta de mim, e ao mesmo tempo uma auto piedade que me enojava.  Às vezes perco meu controle sobre minhas emoções de tal maneira que me sinto fraca… fraca demais para ser digna de várias coisas… Já encontrei uma série de explicações… mas nenhuma delas ainda conseguiu me explicar porquê essa necessidade de falar… de expor o que me machuca no outro, de lhe dizer que é cruel me fazer sofrer…

Mas enfim… Não sei precisar o momento exato… mas a mulher ao meu lado e eu, até então apenas duas desconhecidas dividindo o mesmo quarto de hospital, destampamos a conversar… Quando percebi já era dia e a mulher havia me contado, antes mesmo do meu café (que eu deveria tomar no máximo até às 7:30, pois depois teria que ficar em jejum o resto do dia), boa parte da história de sua vida…

Sem pormenorizar posso dizer que é uma história de amor, de dor, de garra e principalmente de fé… de uma mulher que soube abandonar um barco que poderia levá-la a naufragar… O seu casamento! E me contava radiante um recomeço, uma nova vida…  A mulher ao meu lado estava fazendo exames cardíacos, sem saber ao certo o que aconteceria dali pra frente, preocupava-se apenas com seus filhos que estavam tristes por não poderem vê-la sempre, como gostariam. Mas ela me passou uma força e uma coragem inexplicáveis.

Começava ali o meu re-maravilhamento pela vida…

A tarde, mais precisamente às 15 horas, fui levada para sala de cirurgia e sedada. Lembro-me apenas de ter sentido muito frio. Ao acordar me encontrava em outro quarto. Minha mãe não estava lá e uma moça simpática me ajudou em tudo que pôde.

Não demorei muito a ficar serelepe, andava pelo corredor do hospital carregando o soro, conversava com a acompanhante da paciente ao meu lado, e algumas enfermeiras não achavam muito ruim de ficar em nosso quarto por mais tempo que o necessário… RS

Ao meu lado estava uma paciente que havia operado um aneurisma cerebral… sua filha a acompanhava… e me fazia compania… sem dúvida essas duas mulheres foram responsáveis, talvez sem saber, por um dos maiores exemplo de vida que eu já pude ver…

A senhora ao meu lado estava completamente entubada… soro, cateter, drena e uma série de caninhos faziam parte do cenário “montado” ao meu lado… Impossível explicar o meu desespero e preocupação quando a senhora, até então sonolenta e que pouco se mexia, recém saída de um coma de uma cirurgia que havia durado 14 horas, começou a tentar se levantar, cansada estava de permanecer aqueles 5 dias após a cirurgia deitada. Pouco era possível se entender do que ela falava… mais de uma vez virei de lado e chorei baixinho pra sua filha não ouvir, mas me emocionava muito ver a situação daquele senhora…

Mas diferente de mim a filha dela, que a acompanhava, não demonstrava muito apreensão… pelo contrário… exultava-se de felicidade a cada novo gesto da mãe que estava tendo tanta força e coragem de se recuperar…

Por mais de uma vez não pude conter as lágrimas…

Era uma mulher lutando contra a morte… sem se desesperar… e uma filha corajosa segurando a mãe pelo braço, dizendo-lhe: eu tenho fé que você vai falar!

Mãe e filha pareceram criar uma linguagem só delas cm rapidez… e a paciente conseguiu permanecer por mais de uma hora sentada numa cadeira ao lado da maca por onde esteve durante 5 dias consecutivos…

Parecia impossível a cena que eu via diante de mim… Uma mulher com cortes na cabeça e no pescoço, com fios até a alma, sem conseguir se comunicar tinha um brilho nos olhos… um brilho que eu não andava vendo em mim mesma há algum tempo!

E aquela filha parecia não esmorecer… mulher de coragem… eu mal sabia, mas aquele era apenas o começo do que ela ia me ensinar…

Eu, pomposa, ostentava meu livro de mais de 300 páginas na mesinha ao lado da minha cama… mas jamais poderia imaginar que a mulher que agora acabara de se colocar diante de mim (a filha), que acabara de me dizer que não gostava de ler, a não ser a Bíblia, poderia me ensinar coisas de tanto valor…

Um valor que não se aprende em livros…

O livro que eu estava lendo estava trazendo uma perspectiva que agora se apresentava de verdade pra mim: a morte!

Eu nunca tivera contato real com ela… ela nunca fora vívida pra mim… aquela noite me apresentou o que ela era… e o livro complementou…

Eu ainda não terminei de ler o livro, mas até então ele estava me fazendo repensar muitas coisas… e uma delas era o valor da minha profissão de Psicóloga. Ele faz um balanço interessante entre gênios da filosofia e o trabalho terapêutico…

Mas, enfim… A acompanhante da paciente ao lado (que agora eu suspeitava, devia ser um anjo), me fez, sem pedir qualquer coisa, abaixar minha cabeça e chorar baixinho…

Ela me falou o valor da minha profissão de uma maneira que nenhum professor, mesmo os mais apaixonados, jamais tinham me falado… aquela simples dona de casa… crente em sua fé  em Deus, me fez chorar arrependida por cada vez que duvidei da minha força, da minha coragem… e me disse: Você não é nada… nada versus nada… até reconhecer o poder de Deus… e me disse única coisa eu precisava ouvir para começar um ano de estágios, onde vou lidar com gente… “Quando você falar… não será você falando… será Deus usando a tua boca… deus escolhe… e ele escolheu você!”

Minha pele arrepiou inteira!

Depois de 4 anos de faculdade… era aquilo que eu precisava ouvir… Tão simples…

E ela me disse mais… me contou de toda a estadia dela e da mãe no hospital… e me disse (e eu sentia que era verdade) com um sorriso nos lábios que ela sabia que a mãe logo estaria bem… e foi me contando cada graça que Deus lhe concedera…

Mas me contou também que aquele Deus não concedera nada de graça… e me disse que a gente pode mudar se quiser… e que Deus mostra como somos problemáticos pra nos curarmos…

Interessante… depois  que ela saiu do quarto voltei a ler o livro, e Julius, o protagonista do livro, falava sobre se reinventar… contou que aos 15 anos ele se transformou… do garoto rebelde ao garoto popular, só precisou de força de vontade e um novo ambiente.

Como a maioria dos filósofos, Schopenhauer também era cético. Mas eu acredito que todo mal tem seu bem (e vice-e-versa) e por isso não é difícil transformar as palavras dele dentro do meu conceito de realidade…

Não foi só essa mulher e toda sua história de vida que me fez permanecer acordada durante toda noite (e todo o dia depois também)… Mas cada uma das histórias, dos pedidos de ajuda que vi lá, e principalmente dos enfermeiros…

Se realmente só quem teve muito amor é que pode dar amor de verdade… eu não sei! (Uma das teorias apresentadas no livro) Mas aqueles enfermeiros tinham, sem dúvida, o mais puro dom de amar…

Cuidar das vidas com tal paciência e dedicação… É só por Deus… Schopenhauer certamente não conseguiria compreender tamanha bondade, ele dificilmente acreditava na bondade humana…

Lendo um livro de controvérsias e pensando em tudo que vi, ouvi e senti… posso dizer que não se sabe o que é bem sem conhecer o mal… a felicidade sem se conhecer a tristeza… e nem se sabe o que é a força… sem se conhecer o desespero!

Cada um de nós tem plantado dentro de si uma sementinha de amor… por si mesmo e pelos outros… eu chamo de Deus… você, chame do que quiser… não importa…

O que importa é que possamos regar essa sementezinha pra que ela cresça e possa produzir frutos…

 

 

 

Se ao menos uma pessoa entender o que estou dizendo, então eu terei feito o que precisava ser feito!

 

 

 

(Sem dúvida o meu posto mais longo. Recomendo que você leia o livro que tanto cito aqui e que possa olhar com olhos humanos o sofrimento humano, não só pra “descobrir” o quanto sua vida é boa… mas para descobrir de que maneira você pode contribuir para um amanhã melhor!)

criado por lilinhamorim    2:10 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:, , , , ,

21.1.09

Rosas

 

Há pouco tempo fiz uma tatuagem nas costas… são duas rosas entrelaçadas…

Pra mim essa tatuagem tem um significado muito profundo… marquei meu corpo com o que eu mais me identifico: O amor! A vida!

Não vou pormenorizar o significado da minha tattoo, porém queria discorrer sobre algumas descobertas que fiz…

Não muito diferente do meu símbolo pessoal, existe uma Fraternidade criada a centenas de anos atrás que tem como símbolo uma rosa… É a Fraternidade Rosa Cruz… Em um site que fala sobre ela, encontrei a seguinte explicação mística para a simbologia da rosa:

“A Rosa, como sabem, é a personalidade que floresce na graça e na paz, em um ramo cheio de espinhos. Se fechardes os olhos ante uma Rosa desabrochada não vereis os espinhos nem mesmo vereis a ela, a Rosa, mas ireis percebê-la pelo perfume que exala.”

Existem outros significados mundo a fora para as rosas… pode ser visto como símbolo pagão do feminino, da sensualidade, do órgão reprodutor feminino (útero), da paixão, etc… Símbolo também de Maria, mãe de Jesus, onde a Igreja conta uma aparição dela carregada por rosas de três diferentes cores (Vermelha, amarela e branca) representando as três grandes obras da onipotência divina. (Leia mais sobre isso: http://br.geocities.com/ricardomoc/sigrosa.htm)

Eu, porém, entre tantas explicações para sua simbologia, vejo a Rosa como o  símbolo mais simples e contundente do é que a VIDA…

É a capacidade humana de desabrochar numa beleza infinita, mesmo por entre espinhos…

Quando Ana Carolina diz em sua canção que “Toda mulher gosta de rosas…”, sinto ali a vibração da vida… não só a rosa como símbolo do amor romântico, mas também como símbolo farto da magnitude da vida que se sobrepõe a qualquer dificuldade que possa existir em nosso caminho… em nossa humana via crucis…  

E a vida é isso mesmo… um emaranhados de flores e espinhos… belezas e dificuldades… delícias e dissabores…

Que beleza essa vida em tons avermelhados… Vermelhos de paixão!

 

 

 * Essa é minha tatoo, e a foto de cima, tb sou eu! ;)

criado por lilinhamorim    6:15 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:, ,

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