16.8.09
Quando a equação não é exata!
A distância que pode ser medida em quilômetros não machuca tanto quanto a distância sentida mesmo na presença do outro. É a distância dos corações.
É o famoso “sentir solidão a dois”…
É um sentimento difícil de explicar em palavras, mas que causa um imenso aperto no peito… Uma vontade de preencher um buraco, uma lacuna que nem sempre se sabe qual é.
E não adianta fingir, mentir nem pra si mesmo e nem pro outro, a gente sempre sabe quando está sozinho numa relação.
Relacionar-se é a coisa mais difícil do mundo. O outro tem um mundo próprio, e apropriar-se desse mundo e fazê-lo parte do seu, não é coisa fácil…
É preciso dedicação… Interesse… Amor!
A vida é feita de ciclos… E é necessário que saibamos a hora certa de terminar ou de começar algo.
Viver ao lado de alguém que não está 100% com você é, no mínimo, dolorido.
Quando você está sozinho por opção a solidão parece mais amena…
Agora quando você decide viver algo com alguém, deseja ao menos que esse alguém também o queira.
Se tem uma coisa que eu aprendi em toda minha vida é a hora certa de me retirar…
Eu insisto, pulo e faço graça… Faço piruetas no ar e loucuras impensáveis pra demonstrar o que eu sinto. Dou tudo de mim quando quero alguma coisa… Mas não vou mais além das minhas forças. Não mais! Já sei qual são os meus limites… E isso a gente adquire através das experiências…
E meu limite é reciprocidade. É dar e receber… É “Saber amar… [e] Saber deixar alguém te amar…”. E se essa reciprocidade não existe, então não existe mais caminho pra seguir.
Por que uma relação não é uma disputa, é uma soma de duas pessoas, de duas vivências, de dois pedaços que deveriam se unir, acrescentar algo de bom um ao outro, e não tentar destruir o que o outro tem. É necessário haver um equilíbrio, uma troca. É necessário que as coisas fluam, e para isso é preciso que ambos estejam com o mesmo peso no coração nas duas pontas da gangorra. É normal um sobe e desce lá de vez em quando, e é isso que faz uma relação ser produtiva. Mas mantê-la sempre estável, um em cima e outro em baixo… Não é algo que dê muito certo.
Eu aprendi a não me relacionar desse jeito…
Não que eu só dê amor a quem mereça… Eu amo por que quero amar e ponto.
Mas sei que permitir que meu coração se encha e transborde de amor por alguém que não vai me amar é frustrante… E quem é que gosta de se frustrar?
Então aprendi a hora certa de recolher minha barraca… de pegar os meus trequinhos e sair de fininho. Sem fazer muito alvoroço.
Eu sei que mereço receber aquilo que proporciono aos outros. Tanto o que for bom quanto o que for ruim. E é por isso que eu se eu dou mais do que recebo, a equação fica um pouco transviada… Uma das partes sempre se sente sobrecarregada. Eu já vivi isso… E não quero mais…
Sentir solidão a dois… É a solidão que mais dói.
E se o outro não está disposto a me fazer voar, por quê cargas d’água inventou de tirar meus pés do chão?



criado por lilinhamorim
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