24.11.09
Casos mal resolvidos
Quem é que nunca teve uma paixão dessas fulminantes que deixam marcas invisíveis e completamente alucinantes?
Quem é que nunca arrepiou de paixão? Acreditou em contos de fada? Estremeceu todo ao ouvir o nome de alguém? Me fala, quem?
Quem é que pode se gabar de ter completo controle sobre as emoções que nunca sentiu borboletas no estômago e nem sudoreses de ansiedade?
Pois bem… E agora, diz pra mim, quem é que nunca teve uma paixão mal acabada? Um amor mal resolvido? Uma amizade colorida, inexplicável, indecifrável, e particularmente linda?
Sempre tem uma relação que não terminou com clareza, ou que insiste em causar arrepios em cada novo encontro casual… Ou mesmo deixar marcas desagradáveis pelas incontáveis palavras não ditas escondidas por de trás dos olhares…
Um amor que se jurava eternizado e derrepente chega ao fim… Quem é que nunca teve?
Tanta coisa pra conversar… Tantas coisas que a gente quer ouvir… Explicações para se dar, sentimentos para se sentir…
E eis que surge a oportunidade de repartir antigos segredos, contar seus medos, tirar suas dúvidas e poder dar suas explicações… Um encontro casual totalmente providencial… E… Mais uma vez a estática sensação de querer apenas aproveitar cada segundo ao lado desse alguém… De trocar olhares, risadas, de poder saber se a pessoa está bem.
Ah, essas paixões enlouquecedoras fazendo-nos perder completamente o juízo, fazendo-nos esquecer de todas as promessas de não olhar nunca mais na cara, de não dirigir sequer a palavra ou mesmo o olhar…
Mas a conversa volta a fluir, o desejo volta a existir, as palavras se perdem enquanto os olhos já não querem mais se perder. A boca entreabre-se, sedenta por um beijo cujo gosto o coração jamais esqueceu…
A cena se repete, os sentimentos são os mesmos, o cheiro é o mesmo, o desejo permanece inalterado e constante… Cada pêlo do corpo decide evidenciar-se e deixar transparecer todo prazer pela realização de um desejo antigo e quase inconsciente…
O beijo termina… A conversa chega ao fim… Triste hora de partir…
E cada um segue seu caminho, levando consigo a sensação gostosa que existiu…
E o que resta é a percepção de que eles não são mais as mesmas pessoas… Nem têm mais os gostos tão parecidos assim…
E mais uma vez o silêncio prevaleceu, rompendo as juras de afastamento e as crenças de que tudo tinha chegado ao fim…
Mas o fim nunca chega!
É que de todas as poucas certezas que eles vão ter, uma sempre ficará: “É sempre amor, mesmo que mude!”, e o desejo nunca vai mudar.
Será?
=p


criado por lilinhamorim
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