Pedaços de mim!!!

Leves, livres e soltos pensamentos meus pairando pelo ar… Críticas, lamentos, dores e amores… e um pouco de paz! Meu blog, meu cantinho pra desabafar!

24.11.09

Repetições

Ao largo de toda a teoria psicanalítica um dos temas mais abordados e necessários para o entendimento da psiquê humana é o conceito e a percepção do que é “repetição”.

Um dos textos mais conhecidos de Freud é o “Recordar, repetir e elaborar”, que fala exatamente da necessidade de tomar consciência das nossas repetições para que possamos elaborá-las.

Mas por quê repetimos? Uma frase explica tudo: O inconsciente não se cala até que seja ouvido.

Quer ver uma coisa? Pare pra pensar nos seus relacionamentos… Analisando todos eles, eles não te parecem ter sempre algo em comum?

Não vá achando que estou falando que todos seus parceiros vão ter a mesma cor de cabelo ou a mesma cor de olhos, estou falando da dinâmica das relações que você estabelece.

Perceba como seus relacionamentos começam, por que começam, como eles se desenvolvem, por que chegam ao fim…

É claro que você vai me dizer que cada relação foi diferente e terminou por motivos diferentes… Mas pensa bem, eles não seguem um certo padrão?

Um exemplo… Uma pessoa que é extremamente insegura e desenvolve uma ferramenta de defesa para isso, ela se coloca como superior aos outros para não demonstrar suas fraquezas e necessidades de preenchimento sentimental. O problema é que ela não vai suportar manter essa “máscara” por muito tempo. Aos poucos ela vai mostrando uma personalidade completamente diferente ao parceiro, e esse acaba não encontrando mais nessa pessoa o objeto de afeição que nutriu o inicio do relacionamento. Com o tempo o relacionamento se desgasta e a outra pessoa desiste. Por motivos claros. Para a pessoa insegura, no entanto, fica algo dentro de si lhe dizendo: “Eu sabia que eu não era merecedora de carinho. Eu sabia que iria me machucar. Eu sabia que iria desistir de mim”.

Dessa maneira seus relacionamentos acabam sempre ocorrendo da mesma maneira, mesmo que por diferentes motivos, a pessoa continua assumindo o papel de vítima frente a sua própria insegurança e preferindo sentir-se culpada pelo término das relações.

Mas que coisa chata esse papo todo né?

Mas só vim falar disso por uma razão…

Às vezes a gente nem percebe… Mas as repetições nos perseguem. É necessário que possamos percebê-las por que só assim poderemos encontrar maneiras de modificar as ações que nos incomodam ou nos atrapalham viver intensamente.

È incrível o quanto isso é real e visível.

Eu estou cansada das minhas repetições. Estou cansada de achar que fiz verdadeiras modificações e depois olhar e ver que mais uma vez agi da forma errada…

Qual o meu problema? Eu sempre tomo as decisões certas na hora errada… Atrasada demais.

As pessoas e os momentos têm um tempo certo para existir em nossas vidas. Não adianta dar com a mão depois que o ônibus já passou do ponto, ele não vai voltar pra te buscar. O máximo que se pode fazer é esperar o próximo ônibus e dessa vez estar mais atento e preparado.

Deixo uma frase que li num livro durante a elaboração da minha monografia e que vem muito a calhar:

“Um complexo só pode realmente ser superado se for vivido em sua plenitude. Em outras palavras, se quisermos nos desenvolver melhor, devemos atrair para nós e beber até a última gota aquilo que, por causa de nossos complexos, mantivemos à distância.” (Sharp, 1991)

O medo é a forma mais natural e instintiva de auto proteção… Mas ele pode ser altamente perigoso quando nos faz desistir de tentar.

#Repensando meus atos

criado por lilinhamorim    6:27 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:,

16.7.09

Psico-Psicologia

 

Às vezes me deparo com fatos interessantes relacionados à difusão da Psicologia: Pessoas falando jargões profissionais como se fossem verbetes do dia-a-dia. Termos que até então eu considerava circunscritos apenas ao meu grupo profissional tornam-se muitas vezes comuns entre os leigos.

É aí que me divido entre a extrema felicidade de perceber que minha profissão vem ganhando espaço e sendo considerada útil, uma vez que por muito tempo (e até hoje, infelizmente, em alguns aspectos) perdurou o estigma de uma Psicologia elitizada, destinada apenas à classe alta da sociedade ou aos considerados loucos (se bem que a loucura é discutível… Papo pra outro dia!), e ao extremo desespero de ver esses jargões sendo, muitas vezes, utilizados de maneira errônea.

Depressão, estresse, hiperatividade (TDAH) e mais recentemente o bullying e a bipolaridade, entre outros tantos que não me vêm à cabeça no momento, são termos que as pessoas usam muitas vezes sem ter o menor parâmetro profissional para tanto.

A divulgação da existência de transtornos que afetam muito mais do que somente o corpo e que devem também ser tratados psicologicamente, por um lado é de extrema importância e eficácia para obter um diagnóstico mais rápido e possibilitar um tratamento mais simples, por outro lado, essa divulgação em massa e muitas vezes sem um controle mais criterioso das informações e de que maneira elas serão passadas, possibilita o risco de criar rótulos em pessoas que muitas vezes nem tem um transtorno psi, de fato.

Mães que, preocupadas com a falta de limites dos filhos, acreditam na hiperatividade muitas vezes como maneira de fugir da responsabilidade e culpabilidade; Pessoas que “se estressam” por qualquer motivo e indivíduos que chamam de depressão qualquer choro que se lhe acomete… Pessoas que sabem apenas superficialmente sobre o que estão falando… mas talvez não saibam a real proporção dos transtornos a que se referem…

Ao meu ver as Escolas, a comunidade, a Igreja, os telespectadores da televisão devem sim ter acesso à essas informações, mas não como algo banal, pois isso pode criar problemas para o próprio indivíduo considerado “doente”. Não são apenas os sintomas que devem ser divulgados, mas também o cuidado especial que se deve ter para diagnosticar alguém, e a certeza de que apenas profissionais habilitados para tal podem, de fato, comprovar uma possível suspeita a esse respeito.

Pra mim, a Psicologia só vai ser considerada uma profissão renomada, tal qual a Medicina, o Direito, a Engenharia, etc, quando houverem profissionais competentes e preocupados não só com a detecção de doenças, mas antes de tudo com a promoção da saúde. Assim podemos realmente nos transportar do modelo médico-mecânico à um modelo de humanização da saúde, preocupados com os aspectos bio-psico-sociais dos seres humanos.

 

 

 

criado por lilinhamorim    4:36 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:, ,

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